Sobre cabelos brancos, a geração de influencers e a frustração cotidiana

Faço parte desta complexa geração dos Millenials. Tantos tentam nos explicar, nos definir e, salvo o engano, devo ter lido uns dois ou três – no máximo – bons textos que conseguem explicar bem o que somos ‘nós’.

Lembro bem de um vídeo, que assisti durante a pós-graduação, da agência Box 1824 chamado ‘We All Want to be Young’. Embalado por Lizstomania, dos Phoenix, talvez um dos hinos desta geração, o vídeo mostrava a velocidade dos Millenials, a nossa capacidade de ser tudo aquilo que a gente quisesse e todos os personagens ao mesmo tempo. Fiquei fascinado com aquilo, me identifiquei com cada segundo e até hoje gosto muito do resultado final daquela pesquisa.

No entanto, ser parte desta geração que tanto pode e que tanto prometia é verdadeiramente exaustivo. Esperavam tanto de nós e – sinceramente – não está fácil! Não que eu queira agora escrever um texto pessimista. Longe de mim! Quem me conhece sabe o quanto tenho um discurso and atitudes positivas. Mas, como todos os meus amigos – e aqui acho que não estou generalizando de maneira burra – estamos exaustos.

Crescemos fascinados pela internet, a velocidade das informações e com a capacidade de acessar tudo de qualquer lugar. Alguns anos depois, estamos de saco cheio. Acordamos e agitamos a nossa cabeça com aquele ‘check matinal’ nas redes sociais, antes mesmo daquela saudosa espreguiçada. Limpamos os olhos vendo aquela foto foda da viagem do amigo [milimétricamente preparada], com a notificação do novo trabalho do seu colega no Linkedin [que faz questão de receber os ‘congrats’ e, claro, aquele stories do ‘digital influencier’ que precisou esvaziar um quarto para guardar os tantos presentes que ele recebeu depois de ficar 3 dias fora! Você mal abriu os olhos e pensa: ‘Mas, e eu?’

Estamos acordados há 15 minutos. Estamos exaustos e estamos frustados!

Antes que alguém pense, não estou sendo invejoso-recalcado-inimigo de ninguém. Estou refletindo sobre algo que vem me incomodando (pessoalmente e com os amigos mais próximos) há alguns meses. O nosso nível de frustração está atingindo índices nunca d’antes visto na história deste mundo.

Para a geração que tudo foi prometido e que tudo podia, restou uma tela – das menores às gigantescas – tudo o que restou foi uma tela. Restou dar like, um coração, uma cara de espanto, de tristeza ou muitas risadas. Restaram os prints, as enquetes, os clique aqui e, claro, os conteúdos produzidos digital influenciers.

Mais uma vez, quero deixar bem claro que não estou dizendo que os influencers são os vilões da história. Até porque tem tanta gente boa produzindo conteúdos maravilhosos. O que estou pensando é sobre este ‘instagram way of life’, aquela foto perfeita, aquele framing impecável da vida, completamente ‘flawless’ da hora que acorda com as fotos de café da manhã numa cama invejávelmente branca [enquanto o seu quarto está um caos] até a hora de dormir [quando você assisti mais stories feitos naquele restaurante que um jantar já levaria o seu salário do mês. Minha cara geração Millenial, isso não existe! Ou melhor, existe, mas para muito poucos.

O que nos resta? Chorar! Certo? Claro que não!

Em alguns dias, o sentimento de frustração pode ser mais forte que o normal e a certeza de que do lado de cá da tela, a vida é a mais sem graça possível. Para os tantos outros, nos resta a capacidade de olhar além do telefone, do computador, do tablet ou da televisão. Resta a capacidade de agir em seu próprio favor, usar a sua criatividade e resgatar tudo aquilo que já ou ainda pode lhe fazer muito bem. Resta o contato de verdade, uma ligação para um amigo, uma mensagem carinhosa ou até mesmo o unfollow naquele conteúdo que você já percebeu que faz você se sentir muito mal.

Podemos ser uma geração de frustrados, mas antes de tudo, somos a geração com mais acesso às informações, a cultura, a capacidade de autoconhecimento e ao saber em toda a sua generalidade. Cabe saber escolher aquilo que você quer acompanhar, a maneira que você quer acordar e a forma como prefere levar o seu dia até a hora de dormir.

Aos poucos, e a aproximação com os 30 vai ajudando,consigo vencer melhor e com mais força os dias frustantes. E do lado de cá da tela, torço para que este texto rápido e bobo, faça você dar um sorriso e pensar: “É…num tá fácil para ninguém!”. 🙂

beijos

 

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One comment

  1. Iriê · Novembro 8

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