Sobre cabelos brancos e uma vida melhor em 7 dias

Eis que do dia pra noite, você vai ao espelho durante a rotina matinal e lá está ele…Reluzente, brilhante, chamativo e fora do lugar, entregando a mensagem que ninguém quer receber, avisando que o tempo também passa pra você.

Tá bom, eu sei que esta introdução foi um pouco dramática, e confesso, que o meu primeiro fio de cabelo branco chegou com muita pressa, aos 21 anos. Naquela altura eu achei engraçado, apenas uma quebra de rotina. O problema pra mim não foi o primeiro, mas sim o segundo, o terceiro, o quarto e todos os outros que insistiram em chegar, sem ao menos, pedirem licença.

Desde aquele primeiro fio, seis anos se passaram e muitos outros chegaram, cada vez mais intensos e brilhantes.

Mas o que isso muda na minha vida? Esteticamente, nada. Afinal, este capacete preto que tenho, ainda, é eficaz na camuflagem. No entanto, o que muda é o que está por dentro do capacete.

Entre os 21 e os 26 – quase 27 – existe um buraco negro mental. A diferença entre os 20 e poucos e os 20 muitos são do tamanho de uma fossa abissal. Neste meio tempo acabei a faculdade, fiz uma pós, trabalhei muito, ganhei pouco, mudei de cidade, país, sempre no desejo constante de crescer. Não to falando de crescimento financeiro não, acho que isso, na danada da Geração Y, chega só depois dos 30. Não que eu não busque isso, pela amor de Deus, mas não é só isso…entenderam,né?

Nesta busca incessante posso garantir a vocês que em mais de 50% do tempo estive perdido, nunca desesperançoso, mas muitas vezes sem saber que caminho tomar. E acho, pelo menos vejo nas conversas com os amigos, que não sou o único. Não saber por onde ir, na minha opinião, é a grande crise dos 20. Porém, a grande diferença entre meu primeiro fio branco e agora, é que lá eu não sabia por onde e nem pra onde ir, o que dificultava ainda mais as coisas. Eu queria tudo ao mesmo tempo, assumir todos os trabalhos, saber de marketing, de moda, de jornalismo, produção, cinegrafia, cinema, arte e teatro. Queria trabalhar como produtor, jornalista, ser um grande empresário, participar do Aprendiz (aquele reality show do Justus), curtir a vida, ficar rico, TUDO-AO-MESMO-TEMPO. Resultado? Frustração. Muito embarque em canoas furadas e projetos que nada tinham a ver comigo.

20epoucos

Achando que sabia tudo aos 21!

Pensei neste texto-desabafo pra dois públicos: o primeiro é o dos 20 e poucos, pra você eu digo – “Aguenta aí” – as coisas vão se ajeitando depois de muito murro em ponta de faca. Ah, e não se cobre tanto, realmente não vale a pena.Os outros são os 20 e muitos, com vocês compartilho uma conquista, a do NÃO.

“Como assim, Juan?”.

O que eu quero dizer é que, com alguns fios prateados na minha peruca preta, mesmo não sabendo, AINDA, exatamente o que e como quero, eu já sei muito do que não quero, onde não quero e como eu não quero. Já aprendi muito o que não vale a pena, os desgastes desnecessários, a frustrações bestas e ansiedades tolas (este último é uma batalha diária).

E se você, que já vê os 30 ali chegando, ainda não aprendeu a falar NÃO, toma tendência e faça isso! Não é do dia pra noite, nem estou dizendo que já faço isso 100% do tempo, mas comece, bote em prática e eu te garanto uma vida melhor em 7 dias!

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Fingindo que sei muito aos 26!

Beijos,

Juan Salomão

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